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Conhecimento

Megafusão de Grupo Soma e Arezzo&Co inaugura gigante fashion no Brasil

Fusão do Grupo Soma com a Arezzo&Co dá origem à maior empresa do setor na América Latina, com 34 marcas e faturamento de R$ 12 bilhões


Roberto Jatahy (à esq.), CEO do grupo que controla a Hering, e Alexandre Birman, que ficará no comando da nova empresa. Além das sinergias, a dupla unirá forças para consolidar a moda brasileira também no exterior (Crédito:Jéssica Nicole Oliveira/divulgação)
Roberto Jatahy (à esq.), CEO do grupo que controla a Hering, e Alexandre Birman, que ficará no comando da nova empresa. Além das sinergias, a dupla unirá forças para consolidar a moda brasileira também no exterior (Crédito:Jéssica Nicole Oliveira/divulgação)

As notícias começaram a circular na semana anterior, em sites que cobrem negócios e empresas. Mas o anúncio oficial foi na manhã da segunda-feira (5), no auditório do edifício onde fica a sede da XP Inc., em São Paulo. O lugar ficou pequeno para tantos convidados, a maior parte do mercado financeiro. Investidores, analistas, assessores e, claro, todos os envolvidos na operação que resultou na maior empresa do setor de vestuário da America Latina ­— ainda sem nome ou marca corporativa. Passava um pouco das 11h quando o presidente do conselho da XP, Guilherme Benchimol, subiu ao palco para falar da maior fusão de empresas ocorrida nos últimos anos no Brasil (desde a união de Droga Raia e Drogasil, em agosto de 2011). Segundo o fundador do banco que costurou o negócio, ele traz “vantagens absurdas não só do ponto de vista de sinergias como da cultura”.


Para Benchimol, a criação de uma holding responsável por integrar todas as operações do Grupo Soma (controlador de marcas como Hering, Farm e Animale, entre outras) e da Arezzo&Co coloca no mesmo negócio visões complementares. “São pessoas apaixonadas pelo que fazem. Vão construir algo de longo prazo, duradouro e acima de tudo, com muito respeito”.


Para surpresa da plateia, ele encerrou sua breve fala afirmando que fará parte do Conselho de Administração da nova gigante brasileira da moda. “Aceitei o convite porque que quero que essa empresa faça ainda mais história”, afirmou.



Fundador da XP, que coordenou o processo de fusão, Guilherme Benchimol foi convidado para ser conselheiro da nova companhia. E aceitou por entender que ela fará história (Crédito:Divulgação)
Fundador da XP, que coordenou o processo de fusão, Guilherme Benchimol foi convidado para ser conselheiro da nova companhia. E aceitou por entender que ela fará história (Crédito:Divulgação)

“Momento histórico” foi justamente o termo escolhido pelo CEO da Arezzo&Co, Alexandre Birman, para definir a fusão da empresa que comanda com o Grupo Soma. “Tecnicamente é uma associação, mas o que sentimos é uma criação, pois estamos criando algo inédito”, disse, antes de explicar a estrutura organizacional resultante da fusão.


  • Birman será o CEO da nova empresa, na qual a Arezzo&Co terá uma participação acionária ligeiramente maior.

  • Atual CEO do Grupo Soma, Roberto Jatahay será responsável por uma das quatro unidades de negócio, batizada Vestuário Feminino/Lifestyle, com 11 das marcas que farão parte da nova companhia.

  • As outras verticais serão Calçados e Acessórios (confiada a Luciana Wodzik, do time da Arezzo), Vestuário Democrático (Thiago Hering) e Vestuário Masculino/Lifestyle (Rony Meisler, fundador da Reserva e CEO da AR&Co).


“Será a maior multinacional do varejo de moda d Brasil, com diversas possibilidades de sinergia, como a expansão da Farm Global e da categoria de sapatos femininos em nossas marcas. São muitas as oportunidades de negócios e de crescimento win-win”, afirmou Jatahy.



O fundador da Reserva e atual CEO da AR&Co, Rony Meisler (acima), será responsável pela gestão de oito marcas, incuindo a Foxton, que pertencia ao Grupo Soma. Sob o comando de Thiago Hering estarão todas as linhas que levam seu sobrenome e a Dzarm (Crédito:Gabriela)
O fundador da Reserva e atual CEO da AR&Co, Rony Meisler (acima), será responsável pela gestão de oito marcas, incuindo a Foxton, que pertencia ao Grupo Soma. Sob o comando de Thiago Hering estarão todas as linhas que levam seu sobrenome e a Dzarm (Crédito:Gabriela)

Para Birman, uma vantagem da fusão será a complementaridade de portfólios. “Através do lançamento de calçados e bolsas das marcas do Grupo Soma, troca de melhores práticas na gestão de canais, principalmente em franquias, otimização do parque industrial da Hering bem como a nossa capacidade de negociações com fornecedores estratégicos”, disse o CEO da nova companhia.



(Divulgação)
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Ela nasce com faturamento de R$ 12 bilhões, 22 mil colaboradores e 11 milhões de clientes ativos (sem considerar eventuais sobreposições de carteira). E como ocorre em outras fusões, dois mais dois não são quatro. “Unificar a gestão dos nossos negócios internacionais dará muita força para as marcas”, disse Birman. Segundo ele, a nova companhia está se preparando para plugar outras verticais de negócio, além das quatro que farão parte da estrutura de largada.


A costura do negócio começou há cerca de seis meses. Além da XP e de outros bancos convidados a participar do processo, a modelagem envolveu a consultoria internacional Bain & Company, que realizou um amplo estudo sobre o posicionamento das marcas e das possíveis sinergias advindas da fusão. Mas o namoro teve início bem antes, em abril de 2021.

Foi quando o Grupo Soma adquiriu a mais tradicional empresa de vestuário do Brasil, a Cia. Hering, hoje com 140 anos. A malharia fundada em Blumenau por um imigrante alemão estava também nos planos da Arezzo, à época com faturamento anual na casa de R$ 1,6 bilhão.


Juntas, Hering e Soma passariam a faturar acima de R$ 2,4 bilhões, resultando na quarta maior empresa do setor no País.


A primeira decisão de Birman foi se aproximar do concorrente. Segundo Jatahy, os dois marcaram um almoço no Copacabana Palace. “Tivemos vários encontros desde então e começamos a construir um sonho juntos, buscando a melhor governança e segurança para o patrimônio das duas partes”, disse Birman.


CAPITAL ABERTO

Quando os dois almoçaram juntos pela primeira vez, há quase três anos, as duas empresas já haviam sido listadas na B3.


  • A Arezzo, fundada em 1972 pelo mineiro Anderson Birman, fizera seu IPO em fevereiro de 2011, quando já era líder no setor de calçados femininos com as marcas Schutz, Anacapri e Alexandre Birman, além da própria Arezzo.

  • O Grupo Soma chegou à Bolsa em julho de 2020, dez anos depois de ter sido formado a partir da junção de duas grifes de moda feminina: a Animale (criada pelos irmãos Roberto e Claudia Jatahy em 1991) e Farm (fundada pelos sócios Kátia Barros e Marcello Bastos em 1997). Desde o IPO, o grupo incorporou outras empresas, caso de Maria Filó, Cris Barros, NV, Fábula e Foxton, além de lançar a Farm Global e de adquirir a Cia. Hering.

A Arezzo&Co, por sua vez, investiu em aquisições mais diversificadas, tornando-se a maior house of brands do Brasil, com todas as unidades que integram o portfólio da Reserva (hoje AR&Co), Alme, Carol Bassi, Vans, Simples, BAW Clothing, TROC, Vicenza e a italiana Paris Texas.


“Nosso objetivo é gerar valor de longo prazo”, afirmou Birman. “Vamos ouvir consultorias estratégicas e integrar nossas plataformas no que tange a troca de melhores práticas para ter um território muito bem plantado para 2025.” Segundo ele, aí sim as receitas adicionais e a otimização de sistemas, processos e logística entrarão na conta.


Para Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito societário, a união dos dois grupos fortalece a participação de ambos no mercado. “Fusões nesse contexto podem buscar sinergias operacionais, diversificação de portfólio e ampliação de mercado para garantir uma posição mais robusta no setor varejista, que é altamente competitivo e suscetível a flutuações econômicas”, afirmou.



(Divulgação)
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Apesar das vantagens evidentes, há um desafio: criar uma marca corporativa com um novo nome e uma identidade visual que reflita o tamanho da empresa e sua participação no setor.


No anúncio da fusão, a nova companhia foi apresentada como uma “powerhouse of brands”, uma usina de marcas.


Sócio-fundador da TM20 Branding, Eduardo Tomiya entende que a nova marca corporativa terá de alcançar os públicos estratégicos, dentro e fora do Brasil, já que acelerar a expansão internacional é uma das metas da fusão. “Nasce uma versão nacional da LVMH, com um poder muito grande não só junto ao consumidor como a públicos estratégicos, como o mercado de capitais”, disse Tomiya, citando o conglomerado de luxo francês controlado pelo bilionário Bernard Arnault e que reúne 75 empresas, das grifes de moda Louis Vuitton, Dior e Fendi às marcas de bebidas Möet & Chandon, Henessy e Veuve Clicquot.


É claro que a comparação exige que sejam guardadas as devidas proporções. O grupo LVMH reportou receita de 86,2 bilhões de euros em 2023, quase R$ 460 bilhões pelo câmbio oficial da quarta-feira (7), e emprega mais de 213 mil pessoas no mundo.




Mas há um aspecto simbólico nessa nova gigante brasileira, cuja criação é considerada pelos sócios um “bigbang” da moda: não há nada no mercado que reúna marcas com tanto

potencial de crescimento. “O grande problema de uma fusão gigantesca como essa é perder atributos de imagem, mas entendo que eles estão tratando isso de maneira muito séria”, afirmou Tomiya.


CADE

Como ocorre em qualquer negócio desse porte, a fusão depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia que julga casos de concorrência econômica e antitruste.


Antes de anunciar o acordo, as duas empresas consultaram assessores jurídicos para entender se haveria algum risco. No entendimento dos sócios, a metodologia que o Cade usa é olhar para o mercado de moda como um todo, que no Brasil chega a quase R$ 200 bilhões. “A opinião dos nossos assessores é de que não vai ser um uma questão complexa”, disse Birman.


A fusão, na teoria, tende a proporcionar ganhos também para o consumidor final, uma vez que o aumento da eficiência operacional pode permitir a redução de preços nos produtos. Esse foi um ponto destacado por Birman ao citar a vantagem de ter à disposição um parque fabril completo como o da Hering.


  • Os ganhos de escala também serão significativos. Com 34 marcas, a nova companhia terá muito mais área em shopping centers que a ocupada pelas lojas hoje consideradas âncoras.

  • Estudos realizados pelos RHs das duas companhias revelaram que em alguns shoppings serão mais de 200 funcionários do grupo.

  • Outra vantagem, que poderá reduzir as despesas após a integração, será a maior eficiência no back office, com C-levels apoiando a operação de cada unidade de negócio. Isso pode se refletir em maior agilidade na otimização do capital financeiro e humano.


Criada em 1972, a Arezzo se tornou líder em calçados femininos com as marcas Shutz, Anacapri e Alexandre Birman. A Animale, de Roberto Jatahy, deu origem ao Grupo Soma após se unir à Farm. Depois veio a Hering.


DA CABEÇA AOS PÉS

Para Jatahy, a operação combinada pode também resolver problemas de criação e execução de novas coleções, especialmente quando a expertise está do outro lado. Exemplo disso ocorreu quando um revendedor da Farm Global nos Estados Unidos pediu que a marca produzisse também calçados. “A parte da criação deu certo, mas a execução ficou aquém do esperado”, afirmou.


A partir de gora, situações assim tendem a não se repetir. E a nova empresa poderá vestir mulheres, homens e crianças, da cabeça aos pés, com estilo e qualidade.


“Juntos, vamos incentivar a moda brasileira, compartilhando aprendizado de culturas e respeito aos diretores criativos que são os grandes artistas e os protagonistas efetivamente da nossa indústria”, afirmou Birman. Tudo ajustado, só falta criar uma etiqueta para a nova gigante da moda brasileira.


A força das mulheres que empreendem com estilo


Kátia Barros


(Divulgação)
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Fundadora da Farm com o sócio Marcello Bastos, em 1997, ela ajudou a definir um padrão de moda brasileira que levou o Grupo Soma para o mercado internacional


Cris Barros


(Fernanda Calfat)
(Fernanda Calfat)

Criadora da grife que leva seu nome, a estilista se especializou no segmento de luxo. Assim como a Animale, NV, Maria Filó, a marca ficará na unidade comandada por Jatahy


Carol Bassi


(Divulgação)
(Divulgação)

Fundada em 2014 pela influenciadora, a marca foi adquirida pela Arezzo&Co em uma transação estimada em R$ 180 milhões para compor a oferta de peças femininas da empresa de Birman


Fonte: EDITORA3

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